A muito tenho visto a guerra entre Gravadoras e Usuários, e desde que eu me conheço por gente o download de músicas faz parte da minha vida. Sim senhores e senhoras, assim como você, eu também já baixei músicas ilegalmente através de diversos compartilhadores; eu sou da época em que o Kazaa estava em primeiro lugar na lista de downloads do Baixaki, superando até o ICQ (você ainda tem lembranças deles? – MSN naquela época era coisa pra um ou outro gato pingado – sim, eu estou velho).

Só que existe um pequeno paradigma no meio disso tudo, quanto mais espaço, menos espaço. Ou seja, quanto maior o espaço disponível no HD, maior o número de faixas baixadas e menor o espaço livre para coisas que podem ser importantes. E foi justamente ai que meus problemas começaram a colaborar com as gravadoras.

Quando saí da casa dos meus pais e vim morar em Caxias do Sul, fiquei sem computador e dei um jeito de comprar um notebook (leia isso e não se engane) no primeiro mês. O notebook veio com HD de apenas 120GB de capacidade, e eu, que no antigo PC tinha um HD de 80GB praticamente lotado de músicas tive que selecionar o que eu queria levar comigo durante o “resto da minha vida”. De primeira instância deletei toda a obra de Bach, que me consumiam míseros 15GB, dali pra diante foram algumas discografias de artistas que a muito eu não escutava e só estavam lá ainda por preguiça de deletar.

Me lembro ainda de ter escutado ao fundo um ‘yeeees’ vindo da sala da justiça, as gravadoras adoraram a atitude que eu tomei naquela tarde de sábado e certamente devem ter acumulado um pingo a mais de esperança de que todo mundo um dia tomaria a mesma atitude, rejeitaria os programas P2P e correriam novamente as lojas para comprar os materiais físicos (que por sinal eu adoro) e eles teriam novamente, seus bolsos cheios de dinheiro (nota do autor: até utopia tem limite, concordam?).

Mas certas coisas são impossíveis de mudar por completo e eu continuei fazendo download de músicas que eu gostava, mas não mais baixava discografias inteiras como era no passado, visto que eu não dispunha de muito espaço em HD nem tempo para organizar/escutar todo aquele montante de ‘dados’.

Só que o paradigma ‘mais espaço é menos espaço’ voltou a me assolar, ao mesmo tempo em que eu voltei a utilizar o Last.fm mesmo ele não sendo mais gratuito. E nos últimos dias tenho pensado e tomei uma decisão – que para alguns pode ser impensável – de deletar minha biblioteca de músicas do notebook, deixando apenas aquelas mais tocadas para um momento de necessidade.

Last.fm

Last.fm

Pausa para as gravadoras e artistas: “Yeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeees”.
Voltamos agora com a nossa programação normal…

Analisamos, eu pago mensalmente irrisórios US$3,00 (cerca de R$5,00, valor inferior a uma cerveja em festa) para ter acesso a uma infinita quantidade de músicas a qualquer hora que eu quiser, e ainda libero uma boa quantidade de GB no meu notebook que a cada dia tem se tornado mais valioso pra mim e, diariamente posso baixar algumas faixas se eu quiser. O modelo de negócios para o meu caso (e de muitos) é bem vantajoso.

Agora vamos ao ponto das gravadoras e artistas; as gravadoras podem ser muitas vezes exageradas no que dizem e nas atitudes que tomam, mas a reação normal quando se é encurralado é atacar, e essa tem sido uma atitude comum por parte deles já que nós usuários as empurramos para a beira do precipício; processando usuários, fechando portais de downloads, usando DRM e criando técnicas anti-pirataria. E analisando, eu não tiro a razão delas em não baixar a guarda e estar sempre caindo em cima. Já os artistas não vivem apenas de shows como muitos teimam em afirmar, isso é história de hipócrita tentando justificar a pirataria que comete diariamente.

Ambos tem perdido milhões anualmente com o download ilegal de músicas sendo que existem opções viáveis e baratas como o Last.fm. É o tipo de negócio onde todos saem ganhando. O usuário porque está colaborando com o artista favorito por um preço abaixo do quilo da banana, as gravadoras porque também tiram sua parte de lucro nisso, os artistas que vêem seu trabalho sendo valorizado, e a empresa que mantém este elo entre artista/público por um preço que abrange uma gama enorme de pessoas.

Para quem não conhece o serviço, abaixo segue um breve trecho explicativo retirado do site:

Toda faixa que você executar revelará ao seu perfil na Last.fm um pouco de seu gosto musical. Ele poderá conectar você a outras pessoas que possuem gostos parecidos com o seu e recomendar músicas das coleções dos outros usuários e das suas.

No mínimo interessante não é mesmo? E na minha concepção vale o pequeno investimento mensal. Além da qualidade do serviço prestado, eles ainda tem senso de humor que eu adoro, como na frase de ativação da conta: “vá para o seu perfil e veja seu ícone preto sexy” (contas pagas possuem um ícone no avatar que diferenciam os usuários das contas gratuitas).

Num âmbito geral, é necessário que todos percebam que existem sim, usuários – e esse número cresce cada vez mais – que querem pagar pra consumir conteúdo, e que este conteúdo seja de qualidade e a um preço razoável, de nada adianta eu como gravadora disponibilizar a venda de conteúdo digital através do meu site se o preço para o consumo não compensar. Eu como usuário não pagaria R$3,49 por UMA música que pode ser tocada apenas no meu computador, eu quero mobilidade.

Este é o motivo pelo qual me faz manter determinadas músicas na minha biblioteca e continuar a baixar outras. Toda a cadeia do consumo digital de músicas tem crescido e evoluído, mas ainda não chegou ao ponto ideal onde todos sairemos ganhando e estaremos agindo dentro da legalidade.

Gravadoras, podem gritar “yeees”, vocês de alguma maneira começaram a vencer, mas não se dêem ao luxo de achar que a guerra está ganha, foi apenas uma pequena batalha frente as inúmeras que ainda estão sendo travadas.

Ah sim, se você é usuário do Last.fm é quer ver se temos uma afinidade musical, pode me adicionar: Henrique Artur Wint

PS: Não mencionei o fato “e se a internet cair” porque não dependo mais da 3G da Claro (serviço ruim – é lenta, cai com freqüência e a operadora frequentemente faz cobranças indevidas).