Cultura

A marginalização do Preconceito hoje no BBB10

Na sua forma mais básica, o Preconceito é um desconhecimento usualmente pejorativo de algo ou alguém, como os costumes de uma determinada região ou referente a um determinado grupo de indivíduos conforme a sua classificação (minha opinião quanto a classificação dos seres humanos).

Mas como podemos classificar quando algo é ou não é preconceituoso (pejorativo)? Existem circunstâncias as quais podemos dizer “essa foi uma atitude preconceituosa”? Na minha singela opinião existe sim, mas existe um pequeno detalhe que deve ser levado em conta no meio de toda essa discussão: a comunicação.

Se não me falha a memória, foi no terceiro ano do Ensino Médio, durante uma das aulas de Psicologia o professor nos indagou o seguinte: “Se um branco se aproximar de um negro e disser o seguinte: – E ai preto, tudo bem?” é uma atitude preconceituosa?

Ganhou uma bala quem disser que a turma inteira respondeu que sim, então ele novamente nos questionou: “E se um negro chegar para outro negro e disser: – E ai preto, tudo bem?” é uma atitude preconceituosa?

Agora não vale mais bala, mas acertou quem disser que ficamos sem resposta. Agora voltando para 2010 durante as minhas aulas de Antropologia e Psicossociologia; tivemos a mesma discussão e uma pergunta semelhante nos foi indagada, mas dessa vez citando o participante do BBB10, Marcelo Dourado e as atitudes (ditas) preconceituosas dele.

Marcelo Dourado - BBB10

Marcelo Dourado - BBB10

Você, meu caro leitor, considera o participante do BBB10 Marcelo Dourado homofóbico? Continue lendo e vamos analisar alguns pontos, a resposta ao questionamento anterior você responde após ler todo o post, ok?!

O que difere se uma situação é preconceituosa ou não são os membros aos quais a ou as atitudes envolvem e a comunicação entre os indivíduos.

Como todos sabem a televisão pode distorcer muitas coisas, e o pensamento coletivo pode de igual maneira; se duas cenas aparecerem em que o Dourado usa o termo ‘bixa’ ou qualquer outro termo pejorativo quando se refere a um dos homossexuais do programa, já se arma um circo na sociedade taxando o referido como ser homofóbico. O que temos nessa situação? Um meio de manipulação em massa (que pode ou não estar) distorcendo fatos e uma sociedade cega faminta por desavenças dando continuidade e aumentando essa distorção.

Por que então não consideramos o Dicésar e o Serginho homofóbicos? Se eles mesmos tendem a se chamar dessa maneira? “Como poderia existir homossexuais homofóbicos?” você me perguntaria, eu digo que existe uma piada ácida a respeito, mas infelizmente não posso veiculá-la aqui. Também concordo que não existem homossexuais homofóbicos (piada pronta do existencialismo?), mas temos de analisar a maneira como a mensagem foi transmitida, este é o ponto fundamental na classificação de uma atitude preconceituosa ou não.

É de conhecimento comum a fama que muitos lutadores carregam consigo, mas temos de concordar que este estereótipo é a marginalização dessa classe de profissionais, que assim como qualquer outra classe, tem seus maus membros e devemos ter o discernimento de não julgar todos apenas pelo comportamento de alguns.

Com tudo isso que escrevi não quero dizer que não existe homofobia, apenas que temos ter discernimento o suficiente para analisar até onde estão tentando forjar algo, ou até onde uma situação é realmente verídica, e lembrem-se crianças: saber analisar a comunicação envolvida em um determinado evento é o ponto fundamental para saber diferenciar quando alguma atitude é ou não é preconceituosa.

Não me cobre o que eu não posso lhe dar

Se tem uma coisa que me tira do sério, é quando alguém vem me cobrar alguma informação que eu não posso fornecer, ou que simplesmente não existem dados a respeito a serem fornecidos. E para complementar ainda mais a situação o indivíduo se julga no direito de dizer que estou omitindo algum dado ou estou mentindo a respeito.

Sociedade

Um exemplo “prático” disso aconteceu há alguns dias atrás. Eu não me julgo o Mister Mundo, mas algumas pessoas parecem me ver como (não me pergunte o motivo, nem eu sei) e se julgam no direito de impor que eu tenha saído com alguém em determinado dia, que eu tenha ficado com alguém numa determinada ocasião; Teria eu o direito de permanecer sozinho?

Vejo isso como um retrato da pressão social que impera por cima de cada ser humano, todos nós temos o dever de sanar uma necessidade alheia, temos de prestar contas a respeito das nossas atitudes e caso alguma dessas não satisfaça a necessidade do interlocutor, boooom, está feito o problema, visto que o interlocutor não se dará por satisfeito em receber a resposta a qual ele não gostaria de ter escutado, nos cobrará a respeito e se achará no direito de interromper nossas vidas para que as coisas se encaixem a maneira que ele julgar melhor.

Apesar de alguns de nós percebemos isso com clareza, a maioria simplesmente não enxerga e segue pressionando e sendo pressionado, até mesmo os que percebem tal situação continuam exercendo essa pressão diariamente e com qualquer que seja a pessoal.

Não existe mudança efetiva que não seja no coletivo, a sociedade é um convício coletivo e somente alterando o comportamento do conjunto é que conseguiremos alguma mudança e algum resultado que possa ser considerado satisfatório, mas não que essa mudança não possa começar pelo claramente do indivíduo.

Sociedade classificatória é sociedade discriminatória

O meio mais prático encontrado para organizar a sociedade foi classificar os indivíduos em grupos, classificá-los conforme sua cor, religião, opção sexual, nível de instrução escolar, nível salarial entre outros. No entanto, tais classificações passaram a ter caráter discriminativo por boa parte dos membros que compõem a sociedade.

Sociedade

Sociedade

Por meios práticos podemos ver como a sociedade discrimina cada indivíduo pela sua classificação.

A inclusão das Cotas no Ensino Superior foi um meio encontrado para inserir mais pessoas negras e pardas nas Faculdades e Universidades, no entanto, tal método serviu também como incentivo a discriminação, pois separa o indivíduo dos demais apenas por ele apresentar mais melanina em sua pele e passa o sentimento de ‘incapaz’ ao indivíduo que recebe tal auxílio.

Sou defensor de Cotas em Faculdades e Universidades, no entanto para pessoas de baixa renda, independente da cor, pois assim temos um método discriminativo de menor impacto e percepção se comparado ao apresentado no modelo de Cotas atual.

A discriminação praticada contra homossexuais está no método como essas pessoas são categorizadas e a intolerância praticada em todos os âmbitos. Ir para cama com homem ou com mulher não faz diferença no caráter de uma pessoa nem a condena a ser melhor ou pior que qualquer outro indivíduo.

Somos todos seres humanos com direitos e deveres iguais, e se temos direitos iguais, qual o motivo que inviabializa um casal homossexual de adotarem uma criança? O que inviabiliza o casamento? A liberdade? Gays, lésbicas e transexuais existem em todo parte e já se tornou uma rotina na vida de cada um conviver com essas pessoas, por que ainda promover a intolerância e a chacota?

O fator principal que envolve os fatos mencionados acima é a educação, uma sociedade sem educação é uma sociedade violenta, pobre de recursos financeiros e culturais, onde cada indivíduo tenta manter-se acima dos demais e empurrar os que estão abaixo, ainda mais para baixo. Uma sociedade sem educação é corrupta e rema contra a maré do desenvolvimento.

Promover a educação igualitária é o único meio de aproximar os indivíduos e diminuir todo e qualquer tipo de discriminação, de classificação.

Para evoluirmos para uma sociedade onde a convivência seja melhor, devemos passar a nos enxergar como seres humanos e não como indivíduos separados em grupos de modo discriminativos. Deixamos classificações apenas para estatísticas.