Henrique Artur Wint
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Artigos por Henrique Artur Wint
A marginalização do Preconceito hoje no BBB10
08/03/10
Na sua forma mais básica, o Preconceito é um desconhecimento usualmente pejorativo de algo ou alguém, como os costumes de uma determinada região ou referente a um determinado grupo de indivíduos conforme a sua classificação (minha opinião quanto a classificação dos seres humanos).
Mas como podemos classificar quando algo é ou não é preconceituoso (pejorativo)? Existem circunstâncias as quais podemos dizer “essa foi uma atitude preconceituosa”? Na minha singela opinião existe sim, mas existe um pequeno detalhe que deve ser levado em conta no meio de toda essa discussão: a comunicação.
Se não me falha a memória, foi no terceiro ano do Ensino Médio, durante uma das aulas de Psicologia o professor nos indagou o seguinte: “Se um branco se aproximar de um negro e disser o seguinte: – E ai preto, tudo bem?” é uma atitude preconceituosa?
Ganhou uma bala quem disser que a turma inteira respondeu que sim, então ele novamente nos questionou: “E se um negro chegar para outro negro e disser: – E ai preto, tudo bem?” é uma atitude preconceituosa?
Agora não vale mais bala, mas acertou quem disser que ficamos sem resposta. Agora voltando para 2010 durante as minhas aulas de Antropologia e Psicossociologia; tivemos a mesma discussão e uma pergunta semelhante nos foi indagada, mas dessa vez citando o participante do BBB10, Marcelo Dourado e as atitudes (ditas) preconceituosas dele.
Você, meu caro leitor, considera o participante do BBB10 Marcelo Dourado homofóbico? Continue lendo e vamos analisar alguns pontos, a resposta ao questionamento anterior você responde após ler todo o post, ok?!
O que difere se uma situação é preconceituosa ou não são os membros aos quais a ou as atitudes envolvem e a comunicação entre os indivíduos.
Como todos sabem a televisão pode distorcer muitas coisas, e o pensamento coletivo pode de igual maneira; se duas cenas aparecerem em que o Dourado usa o termo ‘bixa’ ou qualquer outro termo pejorativo quando se refere a um dos homossexuais do programa, já se arma um circo na sociedade taxando o referido como ser homofóbico. O que temos nessa situação? Um meio de manipulação em massa (que pode ou não estar) distorcendo fatos e uma sociedade cega faminta por desavenças dando continuidade e aumentando essa distorção.
Por que então não consideramos o Dicésar e o Serginho homofóbicos? Se eles mesmos tendem a se chamar dessa maneira? “Como poderia existir homossexuais homofóbicos?” você me perguntaria, eu digo que existe uma piada ácida a respeito, mas infelizmente não posso veiculá-la aqui. Também concordo que não existem homossexuais homofóbicos (piada pronta do existencialismo?), mas temos de analisar a maneira como a mensagem foi transmitida, este é o ponto fundamental na classificação de uma atitude preconceituosa ou não.
É de conhecimento comum a fama que muitos lutadores carregam consigo, mas temos de concordar que este estereótipo é a marginalização dessa classe de profissionais, que assim como qualquer outra classe, tem seus maus membros e devemos ter o discernimento de não julgar todos apenas pelo comportamento de alguns.
Com tudo isso que escrevi não quero dizer que não existe homofobia, apenas que temos ter discernimento o suficiente para analisar até onde estão tentando forjar algo, ou até onde uma situação é realmente verídica, e lembrem-se crianças: saber analisar a comunicação envolvida em um determinado evento é o ponto fundamental para saber diferenciar quando alguma atitude é ou não é preconceituosa.
Sociedade classificatória é sociedade discriminatória
02/03/10
O meio mais prático encontrado para organizar a sociedade foi classificar os indivíduos em grupos, classificá-los conforme sua cor, religião, opção sexual, nível de instrução escolar, nível salarial entre outros. No entanto, tais classificações passaram a ter caráter discriminativo por boa parte dos membros que compõem a sociedade.
Por meios práticos podemos ver como a sociedade discrimina cada indivíduo pela sua classificação.
A inclusão das Cotas no Ensino Superior foi um meio encontrado para inserir mais pessoas negras e pardas nas Faculdades e Universidades, no entanto, tal método serviu também como incentivo a discriminação, pois separa o indivíduo dos demais apenas por ele apresentar mais melanina em sua pele e passa o sentimento de ‘incapaz’ ao indivíduo que recebe tal auxílio.
Sou defensor de Cotas em Faculdades e Universidades, no entanto para pessoas de baixa renda, independente da cor, pois assim temos um método discriminativo de menor impacto e percepção se comparado ao apresentado no modelo de Cotas atual.
A discriminação praticada contra homossexuais está no método como essas pessoas são categorizadas e a intolerância praticada em todos os âmbitos. Ir para cama com homem ou com mulher não faz diferença no caráter de uma pessoa nem a condena a ser melhor ou pior que qualquer outro indivíduo.
Somos todos seres humanos com direitos e deveres iguais, e se temos direitos iguais, qual o motivo que inviabializa um casal de lésbicas (ou gays) de adotarem uma criança? O que inviabiliza o casamento? A liberdade? Gays, lésbicas e transexuais existem em todo parte e já se tornou uma rotina na vida de cada um conviver com essas pessoas, por que ainda promover a intolerância e a chacota?
O fator principal que envolve os fatos mencionados acima é a educação, uma sociedade sem educação é uma sociedade violenta, pobre de recursos financeiros e culturais, onde cada indivíduo tenta manter-se acima dos demais e empurrar os que estão abaixo, ainda mais para baixo. Uma sociedade sem educação é corrupta e rema contra a maré do desenvolvimento.
Promover a educação igualitária é o único meio de aproximar os indivíduos e diminuir todo e qualquer tipo de discriminação, de classificação.
Para evoluirmos para uma sociedade onde a convivência seja melhor, devemos passar a nos enxergar como seres humanos e não como indivíduos separados em grupos de modo discriminativos. Deixamos classificações apenas para estatísticas.
Não me cobre o que eu não posso lhe dar
21/02/10
Se tem uma coisa que me tira do sério, é quando alguém vem me cobrar alguma informação que eu não posso fornecer, ou que simplesmente não existem dados a respeito a serem fornecidos. E para complementar ainda mais a situação o indivíduo se julga no direito de dizer que estou omitindo algum dado ou estou mentindo a respeito.
Um exemplo “prático” disso aconteceu há alguns dias atrás. Eu não me julgo o Mister Mundo, mas algumas pessoas parecem me ver como (não me pergunte o motivo, nem eu sei) e se julgam no direito de impor que eu tenha saído com alguém em determinado dia, que eu tenha ficado com alguém numa determinada ocasião; Teria eu o direito de permanecer sozinho?
Vejo isso como um retrato da pressão social que impera por cima de cada ser humano, todos nós temos o dever de sanar uma necessidade alheia, temos de prestar contas a respeito das nossas atitudes e caso alguma dessas não satisfaça a necessidade do interlocutor, boooom, está feito o problema, visto que o interlocutor não se dará por satisfeito em receber a resposta a qual ele não gostaria de ter escutado, nos cobrará a respeito e se achará no direito de interromper nossas vidas para que as coisas se encaixem a maneira que ele julgar melhor.
Apesar de alguns de nós percebemos isso com clareza, a maioria simplesmente não enxerga e segue pressionando e sendo pressionado, até mesmo os que percebem tal situação continuam exercendo essa pressão diariamente e com qualquer que seja a pessoal.
Não existe mudança efetiva que não seja no coletivo, a sociedade é um convício coletivo e somente alterando o comportamento do conjunto é que conseguiremos alguma mudança e algum resultado que possa ser considerado satisfatório, mas não que essa mudança não possa começar pelo claramente do indivíduo.
As circunstâncias fazem um homem
01/02/10
Desde antes do término do Ensino Médio eu sempre tive em mente que não levaria muito tempo para eu sair de casa, desde aquela época (por volta de 2003-2004) eu me imaginava morando e estudando em Porto Alegre. Ao final do 3º ano eu já havia assimilado três princípios básicos a respeito: 1 – Eu não tinha certeza se Música era o que eu realmente gostaria de cursar; 2 – Meus pais não teriam condições de me manter em Porto Alegre enquanto eu apenas estudava e 3 – Eu não estava preparado para passar no vestibular de uma Universidade Federal.
Na minha concepção da época, o principio número 2 era o maior motivo que ainda me segurava em Venâncio, ainda que na visão de hoje, o terceiro principio seria o grande fator para não me levar a capital. Contudo, os anos passam e as circunstancias fazem um homem.
Passei um ano em banho maria, apenas trabalhando como recepcionista de vídeo locadora e ganhando salário de estagiário, o qual eu gastava em bebidas, telefone, compras e um curso que fiz por insistência dos meus pais, nada de muito construtivo para a vida de uma pessoa, excluindo em partes o curso.
Como nunca foi do meu agrado ficar sem ter muito o que fazer, decidi prestar vestibular no final do ano, já sem a ilusão de Porto Alegre na cabeça, prestei para Engenharia da Computação na Univates, faculdade que fica em Lajeado, a 25km de Venâncio. Acabei passando em 9° lugar e naquele momento, era aquilo que eu queria. Já empregado como Projetista de Móveis em uma grande Moveleira da minha cidade, eu lutava para pagar 2 cadeiras (matérias) e manter meu consumismo e as bebedeiras.
Logo no primeiro semestre o primeiro balanço na corda, a oportunidade de um emprego em uma estação de sky dos EUA me fez pensar no que eu deveria fazer da vida, acabei decidindo continuar cursando e musicando, coisas que não levaram muito tempo para sair dos meus planos. No segundo semestre novamente a oportunidade de sair do pais me surgiu, e eu levei esta com mais fé e cheguei a ir mais longe, devido a isso abandonei a faculdade tendo cursado apenas 2 semestres e concluído apenas quatro cadeiras (matérias).
O ano de 2008 foi de preparação para a saída do Brasil, consulta de preços e preparações de documentos, tudo feito com calma e tranquilidade. Porém, a vida para eu sempre foi tão inconstante que eu nunca pude afirmar com certeza se eu realmente levaria aquilo até o fim, e eu não levei. Devido a questões “inerentes” a mim, eu acabei desistindo de ir.
Passados alguns meses eu decidi que estava na hora de eu retornar aos estudos, já estava me sentindo agoniado em chegar todo dia em casa e não ter para onde ir e sem ter algo de construtivo para fazer. Como eu havia me envolvido muito com blogs e mídias sociais durante 2008, decidi cursar Publicidade, cheguei até a fazer minha matrícula, mas não paguei a primeira parcela porque novamente a inconstância da minha vida havia me levado para outros rumos.
Entre o processo de ‘ajuste interno de matrícula’ e o pagamento da primeira parcela do semestre, minha mente transitou por inúmeros lugares e teve inúmeras ideias, e dessa vez, eu posso afirmar que não houve inconstância e eu finalmente tomei uma atitude que me levou até o fim, eu fui homem o suficiente para assumir as responsabilidades.
Passei dias enviando currículos para empresas de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e região, e após algum tempo de procura eu tive um retorno e finalmente cheguei ao final do meu objetivo principal, subir a serra. No qual, não posso chamar de fim, porque onde o mesmo termina, ele já recomeça de outra maneira.
O que eu posso dizer hoje é que as circunstancias fazem um homem. Hoje eu realmente me vejo como um homem, um homem que é auto suficiente financeiramente, que paga aluguel, luz, internet, comida, roupas e ainda tem dinheiro para sair, muito diferente daquele piá de merda que não sabia o que queria da vida a alguns meses atrás, que a todo mês mudava inúmeras vezes de ideia e não tinha um objetivo certo para si.
Nesses cerca de doze meses que estou em Caxias eu me encontrei, agora sou o Henrique que eu buscava, sem máscaras ou medos. Estou vivendo algo que eu sempre quis, e o que antes era incerto clareou, e eu pude ver que é realmente isso que sou e que quero para mim.
Sinto muitas saudades das grandes pessoas que deixei pra trás, e que vejo que pouco a pouco vou as deixando, tanto pela distância quanto pelos assuntos, que querendo eu ou não, acabam mudando, ainda assim, continuo as amando como antes, familiares e amigos. Foram e são pessoas muito importantes para mim, mas pessoas vem e vão, e acabamos suprindo-as com outras.
Os amigos que conquistei aqui, são os melhores possíveis, melhores do que um dia eu esperei ou imaginei. E os finais de semana têm se tornado cada vez melhores, não há mais bebedeiras e gente caindo pelos cantos e rindo uns dos outros (isso era algo que eu amava, me divertia muito, mas já não mais o que eu necessito – não que eu não tenha feito isto aqui, no entanto, o fiz enquanto sozinho), mas sim uma cumplicidade e uma paixão pela amizade que temos uns pelos outros. Isso tem me tornado mais feliz, e uma pessoa melhor.
Independência requer responsabilidade, e responsabilidade se conquista com independência.
“A vida é linda, a Bahia é linda, e tu ai passando frio?!” – Mariana










